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Propaganda enganosa de aniversário
Sou usuário do portal Comunique-se há anos, talvez desde o começo. Como jornalista que sou, é um importante veículo para acompanhar o mercado e tenho muita admiração pelo negócio deles. Além de informação, o portal oferece uma série de serviços, especialmente para assessorias de comunicação, que são bem bacanas – já conheci alguns inclusive por meio de webcasts, ao vivo, no portal.
Webcasts de conteúdo e temas interessantes, mas que, claro, tinham o intuito de vender um produto deles. Legítimo – levar informação e depois trabalhar comercialmente. Enfim, como “cliente” que sou há anos do portal, recebi nesta semana um e-mail marketing de uma promoção que eles estão editando, por conta do aniversário da empresa.
Coloco ao lado a peça (pode clicar para ampliar). Lá diz que caso eu contratasse neste mês um serviço deles – um banco de dados de jornalistas de todo o país, também chamado de mailing – , pagaria só a metade do preço e ainda levaria uma impressora multifuncional HP de presente. Quando vi o preço do serviço – apenas R$ 245, fiquei interessado pois estava precisando deste serviço, mas também com uma pulga atrás da orelha. Não havia asteriscos em seguida, nem observações. Fui ao rodapé da peça e ahá!, encontrei um asterisco.
Lá dizia em letras minúsculas: Promoção válida somente para novas contratações, limitada às 20 primeiras empresas que fecharem até o dia 10/10/2008. (Pensei: nossa, preciso me apressar) O valor promocional será válido pelos primeiros seis meses. Retirada do brinde no Comunique-se após o 2º mês de contrato.
Achei um pouco estranho falar em meses, contrato, pois pensava que com aquele valor compraria o mailing que quisesse, dentro da promoção. Teria acesso uma vez e pronto. Caso quisesse dar continuidade, daí sim contrataria um serviço mensal e teria o direito a multifuncional (que nem era do meu interesse). Mas não era bem assim. Resolvi mandar um e-mail para o comercial, pedindo uma proposta mais detalhada, afinal, estava realmente interessado.
Veio a proposta e qual a minha reação? Fui enganado. Sim, porque na verdade o valor é de R$ 245 mensais, para contrato de pelo menos um ano, e sendo este valor promocional só nos primeiros seis meses. Esta última informação daí esclareceu minha dúvida inicial, que estavam naquelas letras minúsculas. Mas mesmo assim não dizer claramente que seriam mensalidades aquele valor, é enganar os interessados. Interessados estes que devem ter gerado uma infinidade de leads para eles, porque é claro: demonstre uma vez seu interesse e brevemente será novamente “atacado” pelo serviço de relacionamento.
Insatisfeito, resolvi mandar um e-mail mostrando minha indignação em não ver na peça a palavra mensal – porque daí descartaria de cara, já que hoje não teria uma demanda em ter este serviço mensalmente. Para agências maiores, eu acho uma oportunidade bacana. Tenho informações que o mailing que o Comunique-se oferece é bom e comparado ao do seu principal concorrente – o Maxpressnet. A resposta que tive foi um pedido de desculpas pela responsável pelo departamento de negócios do C-se por não mencionar “mensal” e que se colocassem todas as informações na peça, “esta ficaria também confusa para os interessados”. Bom, na minha opinião confusa foi a situação que passei.
Mas tudo bem – como consumidor eu teria todo o direito de ir ao PROCON e entrar com uma ação de reparação por conta da propaganda enganosa. E o caso é muito parecido com um que a Adriane, minha companheira, passou há alguns anos, enquanto estudava para o vestibular. Um cursinho aqui de Florianópolis havia anunciado em outdoors, panfletos, jornal um valor promocional para um semi-extensivo de preparação para o vestibular. Atraída pelo valor – “apenas” R$ 120, ela foi até o cursinho se inscrever, mas se decepcionou quando soube que o valor era na verdade mensal, para os seis meses de duração. Se sentindo prejudicada, foi até o Procon e ganhou a ação e o cursinho teve que, além de colocar em todas as peças a observação de que seria mensal, oferecer a inscrição por apenas R$ 120 para a Adriane. Por conta da fraude, ela decidiu que não teria nem clima para ela fazer o cursinho. Mas fez seu direito como consumidora prevalecer.
Não farei o mesmo com o C-se, mas fica a lição de que o mais importante é ser transparente com o consumidor.










