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nov

Florianópolis para (quem fala) inglês ver

No último fim de semana passei por uma experiência bacana aqui em Florianópolis. Recebi dois amigos americanos, que vieram conhecer nossa bela ilha. A Alison (aí do lado) vive em Salida, no Colorado, e trabalhou comigo durante quase quatro meses na temporada 2004/2005, numa estação de esqui, também no Colorado – a Monarch Ski Area. Robin é o filho dela, formado em administração de empresas em San Diego, Califórnia, e desde o ano passado estava morando em Buenos Aires, dando aulas de Business English para os hermanos. Em janeiro, ele já havia vindo para cá com amigos e chegamos a nos encontrar durante um dia.

Ambos haviam vindo do Rio de Janeiro, visitar uma colega de lá que também trabalhou conosco naquela temporada no Colorado. Como anfitrião dos dois em Floripa, fiquei envergonhado de como os estrangeiros estão sendo tratados aqui. Mesmo Santa Catarina sendo o segundo Estado brasileiro mais procurado por estrangeiros, dados do Ministério do Turismo, falta muito para bem recebermos eles aqui. Especialmente aqueles que falam inglês – já que quem fala e lê espanhol ainda consegue se virar.

Temos pouquíssimas placas de trânsito em língua inglesa aqui. Nos diversos restaurantes que fomos – de norte a sul, na Lagoa e no Centro, em todos tive que intermediar a comunicação. Nas históricas fortalezas que temos por aqui, nenhuma com mensagens em inglês, mesmo sendo administradas pela UFSC, que até Mestrado em Tradução tem.

Até no aeroporto, do café ao balcão de atendimento da TAM, no check-in – nada. No Palácio e Museu Cruz e Souza, só há folders em português. A guia não falava inglês, pedia para eu traduzir (!!!). Só na parte superior haviam plaquinhas em inglês, mas minúsculas e pouco explicativas. Eles ficaram empolgados ao verem a exposição “De Saint-Exupéry a Zeperri”, no palácio, sobre a vida e obra de Antoine de Saint-Exupéry – entre elas o fantástico Pequeno Príncipe. Mas a crítica se mantém – tive que traduzir os mais de 25 banners, todos em português.

Enfim, esta mesma Florianópolis, este mesmo Estado, que pretende receber alguns jogos da Copa do Mundo de 2014, no mundial que será realizado no Brasil. Se recebermos jogos entre Angola e Portugal, ou mesmo dos países da América Latina, até vai – mas de resto, teremos que melhorar muito. É a mesma Floripa do governador que vibra pela vinda do Congressso Mundial de Turismo a Florianópolis, próximo ano. O jornalista Moacir Pereira foi muito feliz ao comentar em sua coluna do Diário Catarinense, nesta terça-feira, sobre o pífio aeroporto que temos.

Penaram, e muito, os executivos e empresários que desembarcaram no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, nos últimos dias. Turistas nacionais e estrangeiros sofreram com a decadente infra-estrutura. As autoridades e parlamentares que chegaram de avião à Ilha de Santa Catarina pagaram pela precariedade da estação de passageiros. Começa pela ausência de finger (as rampas de acesso às aeronaves), passa pela acanhada esteira de bagagens e se encerra no espaço limitado para as operações de embarque e desembarque.

A descida dos aviões nos dias de chuva é uma lástima. A ausência dos fingers, que existem em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e no resto do Brasil, impõe um serviço extra às empresas, que providenciam guarda-chuvas para seus passageiros. Mas há dias em que o vento forte neutraliza a proteção emergencial. As varetas se invertem e a abóbada se transforma numa copa. Cenas de comédia pastelão. Com muita chuva, só faltam as antigas galochas para proteção dos pés. Realmente, uma vergonha.

Imagina receber os congressistas de todas as partes do mundo no Hercílio Luz. Outro ano, durante uma Futurecom, os taxistas da cidade chegaram a fazer greve, prejudicando o deslocamento dos participantes para o CentroSul.

É isso – o que acabou compensando (e que sempre irá compensar) são as nossas belezas naturais, especialmente neste fim de semana, que ainda conseguimos pegar diversas horas com sol e belas paisagens pela ilha. Havaianas, churrasco, caipirinha, peixinho no Pântano do Sul, enfim, um fim de semana agradável.

Submarino.com.br


11 comentários em “Florianópolis para (quem fala) inglês ver”

  1. Concordo que a cidade tem que evoluir e muito, se quiser receber certos eventos e também fazer jus ao título de capital turística do Mercosul.
    Mas eu me pergunto: A cidade tem vocação para o turismo?
    Não devemos apenas nos basear nas belezas naturais e etc, mas sim, na qualidade de serviços e infra-estrutura.
    Muito se discute sobre turismo na capital, mas quase nada sobre as “possibilidades” do turismo na capital.
    Creio que é um assunto que merece uma certa atenção por parte não só das autoridades, mas de todos que possam ser beneficiados ou eventualmente se sentirem prejudicados.
    Um abraço, Rodrigo.

  2. Clarissa disse:

    É Lóssio… Complicado… Entendo tua preocupação e concordo em grau, gênero e número com as tuas observações. Quanto tive em Fortaleza ano passado tive a prova que que Floripa NÃO está preparada para o turismo. O que eu me pergunto é: será que quer estar? Porque sabemos que o povo daqui é meio xenófabo, né? Bom… veremos… Muita coisa tem que mudar (estrutura, valores, atendimento, preparação dos profissionais, etc). E antes de 2014…

  3. vontade de caipirinha.

    problemas estruturais existem em todos os lugares, o que precisa em floripa é mobilização.

  4. Alberto Costa disse:

    Lóssio,
    certamente Floripa não é uma cidade turística – tem potencial, mas não tem infra-estrutura e nem políticas adequadas, além de não ter uma cultura de hospitalidade.
    Táxi? Bem, em 96, quando voltei para cá, a cidade tinha 296 mil habitantes – agora tem cerca de 400 mil (1/3 de aumento). Quantas placas de táxi a mais, 12 anos depois? Só os taxistas de Palhoça, se aproveitando da situação. E o serviço de rádio-táxi? Um atendente e o cliente até 1/2 hora na chuva esperando por um carro velho e sujo, com um motorista com a barba por fazer e vestido como operário de borracharia e com o som tocando música ruim em alto volume.
    Por falar nisso, por que é mesmo que esse tipo de serviço precisa ficar na dependência do governo? Deve ser para evitar a próxima “bolha econômica”. Ninguém precisa de licitação para montar uma padaria ou uma clínica médica, mas precisa para colocar um carro de aluguel na rua – isso me cheira a Albânia, Coréia do Norte ou Cuba, aqueles modelos de sociedade progressista, com IDH acima de 100…
    Abraços.

  5. Alberto Costa disse:

    Ah, um amigo morou aqui quase 9 anos – voltou ontem para seu país natal, na Europa. Saiu de casa, no Córrego Grande, às 16h para embarcar no aeroporto às 19h. Aeroporto de Navegantes, a 100km de Floripa? Não, o Hercílio Luz mesmo, a 13km de distância. É que tinha jogo do Avaí ontem… Sim, alguém há de concordar que é uma boa causa, né?

  6. Peço incluir meu blog (cbndiario.blogspot.com) em sua seleta lista. Estou fazendo o mesmo com o seu Impressão Digital

  7. Diego Homem disse:

    Olá Lóssio,

    Meu nome é Diego, nós nos conhecemos em uma reunião da AIESEC no Beiramar Shopping. Estou morando no exterior e um amigo inglês resolveu visitar o Brasil e ao tentar comprar uma passagem em empresas brasileiras TAM e GOL npo trecho Floripa – São Paulo, ele veio me chamar porque os sites das empresas aéreas brasileiras eram uma lástima em Inglês! tanto a TAM como a GOL foram vergonhosas, quando navegando na opção em inglês, do nada mudava para o português, fora os problemas na hora do pagamento….eu acho que Floripa é apena um caso de desrespeito ao turismo, mas o país como um todo não está preparado para tal.

  8. Pessoal, fico contente quando um assunto rende por aqui.

    @tatato, interessante teu comentário. Acho que Florianópolis tem, naturalmente, vocação para o turismo. Porém precisa profissionalizá-lo e torná-lo sustentável. E isso envolve, basicamente, uma maior presença do poder público em organizá-lo. Problema é o jogo de interesses nisso. Outra coisa que falta aqui é dinheiro – para tudo que precisa ser feito de infra-estrutura.

    @clarissa, não temos como explodir a ponte ou limitar o espaço aéreo. Então o turista vai vir, quer queiramos ou não. O que falta, então, é ação e nos prepararmos.

    @tiagomx, mobilização, com certeza, é a palavra.

    @alberto, táxi realmente é uma piada aqui. E certamente se meus amigos americanos tivessem necessitado usá-los aqui, teriam dificuldades – só na mímica mesmo.

    @brasildasilva, feito, te admiro muito.

    @diegohomem, rapaz, claro que lembro de ti – o cara que está em Dubai, cidade que recebeu o último Congresso Mundial de Turismo (evento que Floripa recebe, ironicamente, próximo ano). O sites das companhias são uma vergonha também – melhoraram bastante no último ano, mas precisam avançar muito ainda.

  9. É… Floripa tem MUITO o que melhorar até o ano que vem. Tomara que sediar o Fórum Internacional de Turismo sirva de impulso para melhorar a infra-estrutura por aqui, senão corremos um sério risco de dar vexame. Excelente post!

  10. Luis Felipe disse:

    Estou totalmente de acordo. A cidade precisa melhorar demais. Porem penso que o turista nao é bem tratato em lugar nenhum do Brasil, talvez em algumas cidades como Rio, Sao Paulo, e olhe la ainda ne.

    O aeroporto e as questoes de infra-estrutura receberao melhorias, isso alias é um ponto base para a copa, sem isso é impossivel mesmo de realizar aqui. O lado bom é que o aeroporto finalmente sairia, algumas coisas em floripa so na força mesmo para superar as mesquinharias politicas que dominam a cidade.

    Penso que com a copa vindo para floripa sera necessario investimentos nessa questao do tratamento do turista, quem sabe nao é a chance para a cidade deslanchar a sua vocacao? Na alemanha fizeram campanhas para o povo tratar bem os turistas, penso que deveriam fazer aqui nao so campanhas como treinamento de restaurantes, shoppings, aeroporto, para esses detalhes de traducao e turismo.

  11. Josiane disse:

    Sou professora de inglês na rede estadual de ensino e leciono em Florianópolis. Estamos elaborando um projeto sobre o turismo na ilha, e adorei o teu texto. Posso utilizá-lo em sala de aula? Seria um excelente instrumento para iniciar nosso projeto. Fico no aguardo! Grata.

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