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Second Life às moscas
Dá pra contar nos dedos quantas vezes acessei o Second Life. Fiz um avatar besta por lá. Visitei a tal ilha que representa o Brasil. Entrei no prédio de dois andares do SEBRAE e só vi uns cartazes e ninguém para trocar uma idéia. Fiz piada com um visitante do espaço do PSDB. Já no Democratas, tentei conversar com uma atendente zumbi com camiseta do partido. Ela não me respondeu, nem deu oi. “Onde houver um brasileiro… lá estão os Democratas”. Tá bom!
Acho que a coisa mais divertida que fiz foi ter roubado o controle remoto de um cara e brincado com o helicóptero de brinquedo dele até o troço se espatifar no chão e explodir. Ouvi uns xingões e resolvi voar rumo ao infinito e além, com medo de levar uma surra virtual. Daí cansei, desloguei, fechei o programa e removi do computador. Tchau!
Hoje li um relato bem legal no site da Computerworld da aventura de uma repórter americana obrigada por sua editora a freqüentar e criar uma segunda vida no programa. Muito divertida a forma que ela contou a história – em primeira pessoa. O objetivo da matéria era saber o que empresas como IBM, Cisco, estavam fazendo lá.
Veja abaixo alguns trechos e não deixe de ler toda a reportagem.
(…) O avatar asiático feminino jovem de uma mulher que se disse chinesa apareceu para dar um oi. Trocamos algumas amabilidades até que meu telefone (real) tocou. Quando voltei para o PC, cinco minutos depois, ela havia gritado com visível frustração: “Fala comigo, por favor!” Pedi desculpas sinceras, mas ela já tinha ido embora. (…)
(…) Enquanto inicializava, lembrei que em 1987 comprei o pioneiro game para PC King’s Quest para minha filha. Ele rodava em DOS e, é claro, meu PC não tinha mouse, por isso éramos obrigados a pilotar Sir Graham com tapinhas entediantes e desajeitados nas quatro teclas de setas. Agora, 20 anos depois, o SL não é muito melhor. As imagens ainda são toscas e sem contraste e as teclas de setas não estão mais fáceis de usar. (…)
(…) Ainda aflito com a largura de banda, me dirigi ao Campus Virtual da Cisco e entrei no Centro de Treinamento. Uma placa indicava que ele era de uso exclusivo de parceiros e funcionários da Cisco, o que me faz perguntar por que está na internet pública e não em uma intranet da Cisco. (…)
(…) Mas talvez minha maior decepção, já que escrevo para gerentes de TI corporativos, é que a presença corporativa no SL é experimental e rudimentar, inferior, em muitos aspectos, aos próprios web sites das empresas. (…)











Minha amiga paulistana Eliane “Lalai” dos Santos trabalha na AgênciaClick – é moça pioneira na transição de empresas para o SL, onde também faz bicos freela como atendente. Aí estão exemplos de fenômenos econômicos que talvez não sejam insípidos, mesmo se considerados exceção. Há uns meses, quando publiquei matéria a respeito em outra revista que editava, havia uma concessionária de veículos que tinha um fluxo diário de mais de mil test-drivers no SL – chamem de cúmulo ou paradoxo, mas eu prefiro de paradigma. Em tempo: sim, eu criei perfil lá, mas não, eu não o uso.
fenomeno econômico é quando alguem ganha dinheiro com o dito cujo. por isso a palavra econômico está ai.
empresas torrando recursos e um monte de gente vivendo experiências computacionais nunca antes vividas é, para mim, mais uma bolha insípida da internet.
Boa observação, Radicchi. Se o caso é exceção, certamente não se constitui num fenômeno econômico. O despovoamento do Second Life é uma realidade clara. Há uns meses houve sim uma bolha e um interesse massivo, mas logo deu pra ver que o SL não se sustentava. Um amigo blogueiro – Gilberto Pavoni Jr. – acredita que não importa se o Second Life deu certo ou não – importa, sim, que finalmente o mundo virtual tem ganhado pouco a pouco espaço de forma consistente no dia-a-dia das pessoas. Mostra um fenômeno que cada vez mais vai tomar nossa realidade – a virtualização dos negócios, do relacionamento, etc.