Comprei a Época desta semana mais interessado na capa – sobre o impacto atual dos blogs na sociedade. Uma reportagem muito interessante, trazendo algumas obviedades, mas traçando um interessante histórico de principais episódios que os blogs foram os pivôs de denúncias e escândalos. Destaca-se aí o caso Clinton-Lewinksy, o plágio do discurso do ACM após os escândalo da quebra do sigilo de uma votação secreta no Senado, entre outros.
Mas a matéria que mais me interessou na revista acabou não sendo essa e sim uma na editoria de Negócios, sobre impostos. Infelizmente não está disponível na web. “É para ir embora?” fala da dificuldades que grandes empresas multinacionais de origem brasileira vêm enfrentando em se manter e investir no país por causa dos altos impostos. Aqui, elas chegam a pagar o dobro de imposto que pagam em outros países. Do lucro da Odebrecht, por exemplo, no Brasil 55,6% dizem respeito a pagamento de impostos. Já lá fora, a estimativa é de menos que a metade – 24%.Um dos entrevistados da matéria é o empresário Jorge Gerdau, da empresa que leva seu sobrenome. O último balanço da siderúrgica mostra que a Gerdau gerou no ano passado uma riqueza de R$ 2,9 bilhões no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Deste valor, R$ 627,8 milhões – 23,2% – foram para pagar os impostos. Já no Brasil, do faturamento de R$ 7,4 bilhões, 47,6% significaram impostos pagos pela multinacional, ou seja, R$ 3,1 bilhões. Um grande disparate para um país que pretende constantemente atrair investimentos externos com a vinda de grandes empresas para cá. Na matéria o repórter lembra de diversas multinacionais que fugiram de outros países por causa da carga tributária elevada, preferindo países como China, Índia, México, etc. Entre estas empresas estão gigantes como General Electric, Rhodia e IBM.
Além da dificuldade de atrair investidores para cá, este problema acaba por prejudicar as próprias empresas daqui com pretensões multinacionais, como é o caso da Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce, Embraer e a própria Gerdau. Acabam por investir em novas fábricas, centros de negócios, lá fora atraídos pela menor carga tributária. Enfim, vale a leitura desta matéria de meia página da Época desta semana para quem enfrenta diariamente esta dificuldade. Mesmo porque a alta carga tributária não é uma dificuldade só das grandes – as pequenas sofrem há muito tempo com isso. E representam 90% do mercado de empresas no país. Atualmente vivo isso na pele com a iTrês. Costumo dizer que meu quarto sócio é o governo, com a diferença que ele pouco ou quase nada trabalha para mim. Pelo contrário, por ser um burocrata e um “encostado” acaba só por atrapalhar. Mas vamos levando…




